Saudades dum amor cheio
De ser antiga no corpo dum outro
Saudades do tempo, de uma dança lenta
alinhavando a força das coisas
Saudades do amor
Saudade.
Do sim das coisas
Retrato
Coisa esquisita isso de grafar dentruras
A palavra esbaforida, dedos curtos no que é fugidio, viscoso, veloz
Viver é mesmo coisa indizedoura, fica relinchando , escoiceando tudo quanto é nome
por enquanto o que posso é espiar, tentar murmúrio
o olho lotado de agora
o poro, casa vasta de se adentrar mundo
o corpo meu objeto, minha casa-asa de amar, alar o tempo
Eu? alma, acaso e flor
Quero escrever um ato vazio. Janela esfaqueada no peito pra um sol de ébano. Peito-correnteza, peito do leite doce dos silêncios. Coração ternura triste, arrastando vazio por todo o corpo. Nenhum dique de luz. Jorragem. Travessia de escuros. Viver é desanúncio. Escuro é templo. Me escondo numa poça recôndita, numa víscera até pra mim longínqua, tranço tranças de escuridões elásticas, me amamento no arrepio dos nadas. Colho no vago o comer das minhas esfinges. Não quero resposta. Quero um caldo que me venha da angústia, que me abençoe as fissuras, me apascente os desfiladeiros. Quero hoje ensolarar-me de ser só.