terça-feira, 17 de maio de 2011

Desejo


Saudades dum amor cheio
De ser antiga no corpo dum outro
Saudades do tempo, de uma dança lenta
alinhavando a força das coisas
Saudades do amor
encontro de peitos fartos
do pasmo, do desespero ante o outro
seu caos, seu poço, sua fome

Sua incandescência.
Saudade.
Do sim das coisas

domingo, 5 de setembro de 2010

PRECE
Confio no alado de meu dentro

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Retrato

Coisa esquisita isso de grafar dentruras

A palavra esbaforida, dedos curtos no que é fugidio, viscoso, veloz

Viver é mesmo coisa indizedoura, fica relinchando , escoiceando tudo quanto é nome

por enquanto o que posso é espiar, tentar murmúrio

o olho lotado de agora

o poro, casa vasta de se adentrar mundo

o corpo meu objeto, minha casa-asa de amar, alar o tempo

Eu? alma, acaso e flor

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Le temps
Penso no tempo como o que nos tatua de nós mesmos e inventa peles.

domingo, 24 de maio de 2009

Trancafios


Quero escrever um ato vazio. Janela esfaqueada no peito pra um sol de ébano. Peito-correnteza, peito do leite doce dos silêncios. Coração ternura triste, arrastando vazio por todo o corpo. Nenhum dique de luz. Jorragem. Travessia de escuros. Viver é desanúncio. Escuro é templo. Me escondo numa poça recôndita, numa víscera até pra mim longínqua, tranço tranças de escuridões elásticas, me amamento no arrepio dos nadas. Colho no vago o comer das minhas esfinges. Não quero resposta. Quero um caldo que me venha da angústia, que me abençoe as fissuras, me apascente os desfiladeiros. Quero hoje ensolarar-me de ser só.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Des-venda-me
E se as marionetes descobrirem que têm poros do tamanho de vitórias-régias?

quarta-feira, 25 de março de 2009

Poeta
Quando o poeta acordar
suado e sem rima
Largado e lasso nos lençóis sem métrica
nas estrofes desgrenhadas
Pálido, calado, caiado de lirismo
corpo molhado de entrega,
coração texto nu de linhas nuas
amado demais
dessa coisa indiscursável de quando alguém dá de amor a sua solidão
...
Dá-lhe um pão de centelha quente e branco
Não passa não a manteiga das palavras
Silencia, poeta