quarta-feira, 16 de julho de 2014


Divago

A vida só é fácil para os mortos. E só é bela para os vivos.



terça-feira, 17 de maio de 2011

Desejo


Saudades dum amor cheio
De ser antiga no corpo dum outro
Saudades do tempo, de uma dança lenta
alinhavando a força das coisas
Saudades do amor
encontro de peitos fartos
do pasmo, do desespero ante o outro
seu caos, seu poço, sua fome

Sua incandescência.
Saudade.
Do sim das coisas

domingo, 5 de setembro de 2010

PRECE
Confio no alado de meu dentro

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Retrato

Coisa esquisita isso de grafar dentruras

A palavra esbaforida, dedos curtos no que é fugidio, viscoso, veloz

Viver é mesmo coisa indizedoura, fica relinchando , escoiceando tudo quanto é nome

por enquanto o que posso é espiar, tentar murmúrio

o olho lotado de agora

o poro, casa vasta de se adentrar mundo

o corpo meu objeto, minha casa-asa de amar, alar o tempo

Eu? alma, acaso e flor

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Le temps
Penso no tempo como o que nos tatua de nós mesmos e inventa peles.

domingo, 24 de maio de 2009

Trancafios


Quero escrever um ato vazio. Janela esfaqueada no peito pra um sol de ébano. Peito-correnteza, peito do leite doce dos silêncios. Coração ternura triste, arrastando vazio por todo o corpo. Nenhum dique de luz. Jorragem. Travessia de escuros. Viver é desanúncio. Escuro é templo. Me escondo numa poça recôndita, numa víscera até pra mim longínqua, tranço tranças de escuridões elásticas, me amamento no arrepio dos nadas. Colho no vago o comer das minhas esfinges. Não quero resposta. Quero um caldo que me venha da angústia, que me abençoe as fissuras, me apascente os desfiladeiros. Quero hoje ensolarar-me de ser só.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Des-venda-me
E se as marionetes descobrirem que têm poros do tamanho de vitórias-régias?